O DESAFIO DE CONQUISTAR RESULTADOS – O EXERCÍCIO DO PODER

Você já parou para pensar como funcionam os óculos? De um modo geral se acredita que os óculos servem para corrigir deficiências e melhorar a visão. Entretanto os óculos não melhoram a visão do indivíduo, ou seja, não curam o problema. Inclusive usados por alguém sem deficiência eles só vão atrapalhar. Isso acontece porque os óculos não foram realmente feitos para corrigir a visão, mas para distorcer a realidade, de forma que a pessoa que tem dificuldade visual possa entender essa realidade.

            Essa é a metáfora perfeita para entendermos como o ser humano aprende. Desde muito cedo recebemos lentes mentais para ver o mundo. Essas lentes não melhoram nossa visão, elas também foram projetadas para distorcer a realidade, de forma que nossa capacidade, que é limitada, tenha condições de compreendê-la  uma dessas lentes, por exemplo, é relativa ao tempo. Como não temos condições de assimilar algo tão grandioso como a eternidade no tamanho de nossa capacidade de compreensão.

            Todos nós, sem exceção, utilizamos essas lentes mentais para ver o mundo, às quais damos o nome de Crenças. É aí que tudo começa, porque é a partir de nossas crenças que tomamos decisões, estabelecemos atitudes, empreendemos atividades e conquistamos resultados. Por isso Sócrates afirmava que “crença é igual à realidade”, porque é a partir do que cremos que construímos nossa experiência de vida. Esse é o ponto de partida para compreendermos nosso processo de vida e transformamos nossos resultados.

            Uma das reflexões mais importantes de nossa aprendizagem é relativa ao exercício do poder, ou seja, ao sentimento íntimo de que somos ou não capazes de algo. É a partir desse sentimento que elaboramos nossa estratégia de atuação que, evidentemente, dá o tom de nossa existência. Há determinadas lentes ou crenças, que incorporamos na infância, que precisam ser revistas, recicladas ou até substituídas. Aliás, em educação de adultos se diz que a criança vai para a escola para desaprender, porque há uma série de crenças que não servem para nosso projeto de sucesso.

            Façamos uma reflexão sobre um dos arquétipos (Arque do grego quer dizer origem) que compõem nossas crenças sobre o Poder. Vamos falar sobre a bruxa de nossas histórias infantis. Ela é sempre apresentada como uma figura má, feia, velha egoísta, vingativa. E qual é seu contraponto do bem? A fada madrinha, que é sempre bela, jovem, bondosa, compreensiva, um modelo de conduta.

            As duas são figuras poderosas, ambas detém magia para transformar a realidade. Porém o que é diferente é a maneira como cada uma utiliza seus dons mágicos. A fada madrinha usa o poder em benefício dos merecedores, dos bons, dos cordatos, dos heróis, ou seja, em prol dos outros, enquanto que a bruxa usa seu poder em proveito próprio. Desta forma nossa crença básica, uma das lentes com que enxergamos o poder, nos diz que quem usa seu poder, sua mágica pessoal em proveito próprio é bruxa, é gente má egoísta, ruim. Que o poder bom é aquele que vem da fada madrinha. E todos sonhamos com uma para resolver nossa vida.

            É importante notar que a cultura de um povo determina de forma notável a versão que cada arquétipo recebe. Essa mesma bruxa de nossa infância é vista por outras lentes nos países anglosaxônicos. Para esses povos a bruxa é venerada, comemorada no soistício e no equinócio. Nos EUA, inclusive, há o Halloween, ou festa das bruxa, onde as crianças são motivadas a pregar peças e exercer o papel de bruxas nas brincadeiras com os adultos. Não é por coincidência que lá existe o sonho americano do “self-made-man”, ou seja, daquele que se faz por si mesmo. E quanto mais bem sucedido, mais valorizado é o indivíduo.

            Já no Brasil o sucesso é sempre visto com desconfiança, sempre apontado como de origem duvidosa, ligado a negócios ilícitos. O empreendedor é um jogador irresponsável, o empresário triunfante é um explorador de mão de obra barata e vive das benesses governamentais. A frase “sou pobre, mas sou honesto” cria um sinônimo para honestidade que descarta o sucesso financeiro. A maioria da mídia apenas reforça esse imaginário tão popular. Ao término do telejornal, por exemplo, dá uma angústia enorme, uma vontade de parar de investir, de se fechar num casulo protetor, fora do risco. Isso cria uma ambivalência no indivíduo que aspira conforto, bem estar e tranqüilidade financeira. Lutamos pelo sucesso, porém não podemos jamais dar sinais de “ostentação” de nosso triunfo.

            A questão é que o brasileiro vive se desculpando pelos bons resultados de sua vida e se sentindo culpado pelo sucesso acima da média de seus pares. O herói de destaque no Brasil é aquele que divide o salário desemprego com os vizinhos necessitados, pode parecer um exagero, mas na verdade foi uma notícia que saiu na televisão. Devemos rever nosso checklist para criação de ícones: ele deve investir seu salário desemprego num negócio de fundo de quintal, que vai crescendo, emprega dezenas de pessoas, depois centenas, depois milhares, ganha mercados, faz diferença de qualidade na vida do consumidor, transforma a sociedade, enriquece o Brasil. Ele faria muito mais pelo mundo agindo como “bruxa” do que como “fada madrinha”.

            Temos que levar em conta que toda a História Humana é contada pelo ângulo daqueles que detém o poder e escrita pelos que o exercem. Em todas as esferas de nossa existência é o uso do poder que estabelece a Qualidade e o nível de Liberdade que podemos desfrutar na vida e seu conseqüente resultado de sucesso. Harriet Rubin, sem seu livro “A Princesa, Maquiavel para Mulheres” afirma que o verdadeiro Poder é aquele em que “o Poder de sua ausência equivale ao poder de sua presença”. E esse é o estado a arte a ser alcançado. Ser admirado, respeitado, obedecido, seguido, temido ou defendido, mesmo estando ausente, é algo que demanda uma enorme capacidade de influenciar pessoas, que exige uma grande “mágica” pessoal.

            Todos somos capazes de exercer o poder num nível pessoal, mesmo que nem o dos usufruam desse privilégio. Na verdade, ser poderoso nada mais é do que estabelecer propósitos e implementar idéias, mesmo tendo de enfrentar oposição, desânimo ou fracasso. O poder, portanto, não é oferecido por outra pessoa, mas conquistado a partir da auto-superação. O medo, o cansaço, o rancor e a inveja são sentimentos que inibem a ação do poder em nossas vidas. Só com a superação destes, somos capazes de exercer, de maneira plena, nosso Poder Pessoal.

            Deixamos de viver em um mundo linear, em que um fato ocorria depois do outro, para viver num mundo simultâneo, onde tudo acontece ao mesmo tempo. Nessas condições impostas pela nova realidade econômica, pela implementação acelerada de novas tecnologias e pelas demandas crescentes da sociedade por soluções inovadoras, é fundamental que sejamos capazes de exercer o poder de síntese entre a bruxa e a fada, que sejamos capazes de fazer mais por nós mesmos, mas também pela comunidade em que estamos inseridos.

            A mediocridade e a covardia são os ingredientes básicos da amargura e da falência moral e pessoal. E nada entrava mais o progresso humano do que o poder exercido pelo medíocre. O poder do medíocre não é vasto, nem muda o curso da História, muito menos faz o mundo girar, ao contrário, atrapalha bastante aqueles desejosos de dar um ritmo mais acelerado na busca de resultados. Entretanto, a “síndrome da bruxa” nos afasta de exercer um poder real. Lutamos pela chance de controlar uma “porta” na vida, onde podemos determinar de maneira efêmera quem entra e quem sai. Parece até que é poder, contudo é ma ilusão formada pelas lentes com que vemos a realidade.

            As “portas” as quais nos apegamos são o cargo que exercemos, a “nossa” mesa, a “nossa” sala, o carro, a casa que a gente mora, como símbolos de um status puramente exterior, onde todo esforço é feito para o transitório e nossa fortaleza se constitui de resultados voláteis. Temos que nos liberar dessa posição de porteiros do poder para o exercermos de fato. Ou seja, parar de controlar o externo para imprimir maior energia no desenvolvimento de atitudes interiores que nos alcem a um patamar de maior grandeza pessoal. Isso não significa necessariamente abrir mão do status inerente as funções que exercemos na sociedade, nem dos confortos que o mundo moderno nos oferece. Mas ser capaz de tomar decisões, empreender ações e dinamizar nossos resultados de vida, sem ter que levar em conta esse modelo limitado de sucesso que herdamos de nossa cultura.

            Ser capaz de não se afetar com a opinião alheia, nem reagir  as pressões da sociedade, é uma forma elevado de poder. Mesmo que soe um tanto estranho a idéia que o poder não pode se importar com a mentalidade corrente, essa é a chave para o exercício pleno do poder. Gandhi foi mais poderoso com sua política de não violência do que o onipotente Império Britânico. Sua força estava na capacidade de abstrair-se da realidade vigente, libertando-se do modo de pensar e de reagir de seus contemporâneos e impondo suas próprias idéias e princípios.

            A liberdade de construir um modelo próprio de sucesso e a coragem para implementá-lo é a expressão máxima do Poder Pessoal. Somente se formos capazes de incorporar a bruxa em nós, ou seja, colocarmos magia em nossa vida, usando nossa energia e inteligência em prol de nosso próprio sucesso é que seremos capazes de espalhar sucesso ao nosso redor. É assim que se muda uma comunidade, que emancipa um Estado, que se forma uma Nação. Porque um país é mais do que a soma de seus cidadãos, é a expressão exata de como cada um coloca um pouco mais de si todo o dia vai um metro além, faz um esforço extra, usa o pó mágico da vontade e constrói o mundo exatamente do jeito que quer viver.

Autora: Dra. Dulce Magalhães

Fonte: ESARH 2002 – COMPETÊNCIAS COLETIVAS

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Sobre Wagner Bueno

Administrador, Consultor e Professor
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