Conflito de Interesses – Comportamento na empresa, por Paulo Dias Fernandes

Pessoas que já tiveram a oportunidade de trabalharem em grandes empresas ou assumirem cargo gerencial ou acima, já conhecem o conceito de conflito de interesses… No entanto, muitos empresários não o conhecem. Este artigo visa difundir os danos a imagem de uma empresa ou sócios ao agir em prol de interesses conflitantes.

Poderia escrever um tratado sobre ética, moral, uso indevido de bens alheios… Serei sucinto. Muitas empresas atuam no mercado, em função de exemplos dos seus sócios-proprietários, de forma a misturar interesses pessoais com a razão de ser, existir, da empresa. Até certo ponto, a pessoa física se confunde com a pessoa jurídica em micro-empresas.

As complicações surgem quando a relação com o mercado (clientes, concorrentes, fornecedores, governo, colaboradores, etc.) passa pelo crivo de julgamento da sociedade. É aquele momento que a empresa começa a crescer e aparecer aos olhos daqueles que nem tem relação comercial com a empresa, mas sabem das políticas de práticas comerciais praticadas por ela.

Conflito de interesses é quando a pessoa, utilizando-se do nome de um cargo em uma empresa, age para obter um benefício pessoal. Vamos a alguns exemplos? Um sócio de uma empresa que vende roupas e deseja um super desconto na aquisição de um veículo para seu uso pessoal. Fala para o vendedor:

-Fulano… Veja que você pode fazer de desconto nesta nossa negociação! Depois passa lá na “minha” loja que eu te faço um agrado…Primeiro… O benefício do desconto (na compra do veículo) vai para o bolso da Pessoa Física, porque o carro não é para a empresa. É para o uso pessoal. Segundo… O vendedor do veículo já vai ganhar a comissão dele, já ganha para fazer exatamente o que está fazendo: vender o veículo. Terceiro (e mais grave)… Está se utilizando um recurso da empresa que não é só do comprador! Ele tem um sócio! E, sem o sócio saber, está prometendo oferecer produtos da empresa (que não é só dele). Espera aí! Ele vai contar para o sócio! Ele vai contabilizar a roupa que vai dar como uma retirada dele (pró-labore). Tarde demais! A impressão que ficará na sociedade, no mercado, é que se utiliza da empresa (pessoa jurídica), para obter vantagens pessoais.

Pode-se pensar (II): -A empresa é minha! Eu faço o que eu quiser, do jeito que e quiser! Cuidado! Você tem sócio. Gostaria de ter um sócio que pensasse e fizesse o mesmo com você? E a questão do exemplo para os colaboradores? Eles também podem se sentir compelidos a agirem assim também.

Imagine que um colaborador seu que chega em uma loja de roupas, fala que é gerente do setor de manutenção da sua empresa e fala que é para oferecer um desconto especial porque trabalha na empresa Tal. O patrão age assim… Porque que ele não pode obter vantagens por trabalhar na empresa? Ou ainda o colaborador que prioriza vantagens para um fornecedor ou cliente porque entende que este pode oferecer um emprego para a esposa, tia, sobrinha, primo? As tentações são maiores ainda em pessoas que ocupam cargos públicos com poder de fiscalização.

Cuidado, empresário, que faz muita questão de agradar! Agradar demais pode significar peso na consciência por estar fazendo algo errado! Exagero na conotação? Por conta de várias situações embaraçosas que os sócios de uma empresa e todos os seus colaboradores podem criar, sugere-se a descrição, explicação e orientação do que é o conflito de interesses. Assumir, como dono e sócio da empresa que não vai praticá-lo. E exigir que os colaboradores também o adotem. Desta forma, sua empresa estará atuando no mercado de forma ética e respeitada pela sociedade como uma daquelas que preserva boas relações comerciais baseadas em competência, transparência, qualidade, seriedade. E não como uma que pratica trocas de favores e sobrevive devido a ações que podem ser condenadas pela sociedade, clientes e colaboradores.

Adotar políticas de conduta, esclarecer o que é conflito de interesses a todos na sua empresa, é demonstrar compromissos com o seu sucesso empresarial a longo prazo. Crie um Manual de Integração, Boa Conduta e Ética para os seus colaboradores e apresente-o no ato da contratação para que ele saiba o que se espera dele. A sociedade agradece.

Paulo Dias Fernandes é consultor de empresa, palestrante, educador presencial e virtual. Economista (UFPR), pós-graduado em Gestão Empresarial (Cesumar), Educação a Distância (Senac) e pós-graduando em MBA em Qualidade e Produtividade (Cesumar).Sócio-proprietário da Lupa Consultoria.

Fonte:http://www.lupaconsultoria.com.br/novo/content/view/23/12/

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Sobre Wagner Bueno

Administrador, Consultor e Professor
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